Terapia Microbiológica

Em resumo

microorganismos

Não só de probióticos assenta a terapia microbiana, é também necessário ter em consideração prebióticos, simbióticos, os tipos de estirpes e toda histologia intestinal e sistema gastrointestinal. Temos mucosas por todo o trato digestivo e uma microbiota intestinal saudável e microecologicamente equilibrada resulta de  um desempenho normal das funções fisiológicas do organismo, o que irá assegurar melhoria na qualidade de vida do indivíduo.

Este resultado é de suma importância, particularmente nos dias de hoje, em que a expectativa de vida aumenta exponencialmente. O papel direto dos microrganismos probióticos e indireto dos ingredientes prebióticos, no sentido de propiciar, no campo da nutrição preventiva, essa microbiota intestinal saudável e equilibrada ao organismo, já está bem estabelecido. 

Início da terapia microbiológia

probioticos
Elie Metchnikoff

Há um século, Elie Metchnikoff (cientista russo, prêmio Nobel, e professor do Instituto Pasteur em Paris) postulou que as bactérias ácido-lácticas (BAL) ofereciam benefícios à saúde que levavam à longevidade. Sugeriu que a “auto-intoxicação intestinal” e o envelhecimento resultante poderiam ser suprimidos modificando a flora intestinal e utilizando micróbios úteis para substituir os micróbios proteolíticos como Clostridium — produtores de substâncias tóxicas que surgem da digestão de proteínas, entre as quais se encontram fenóis, indóis, e amônia —. Desenvolveu então uma dieta com leite fermentado com a bactéria, à qual denominou “Bacilo búlgaro.”

Em 1917, antes de Alexander Fleming descobrir a penicilina, o professor alemão Alfred Nissle isolou uma cepa não patogênica de Escherichia coli das fezes de um soldado da Primeira Guerra Mundial que não tinha desenvolvido enterocolite durante um surto grave de shigellose. Os transtornos do trato intestinal eram tratados frequentemente com bactérias não patogênicas viáveis para mudar ou substituir a microflora intestinal. A cepa Nissle 1917 de Escherichia coli é um dos poucos exemplos de um probiótico não BAL.

Henry Tissier (do Instituto Pasteur) isolou pela primeira vez uma Bifidobactera de um lactente alimentado no peito, à qual denominou Bacillus bifidus communis. Tissier postulava que as bifidobactérias deslocariam às bactérias proteolíticas que provocam a diarreia e recomendou a administração de bifidobactéria a lactentes que padeciam deste sintoma.

O termo “probiótico” foi introduzido pela primeira vez em 1965 por Lilly e Stillwell; foi definido, a diferença dos antibióticos, como aquele fator de origem microbiológico que estimula o crescimento de outros organismos. 

Tipos de probióticos e microorganismos

Os microrganismos que vivem no corpo humano colonizam virtualmente todas as superfícies expostas ao ambiente externo. A microbiota está presente na boca, no estômago, no intestino, nos tratos genitourinário e respiratório, nos olhos, na pele etc. Embora esta se distribua por todas as áreas de contato com o exterior, a maior parte da colonização (cerca de 70%) ocorre no trato gastrointestinal, isso deve-se em grande parte ao facto de a área das paredes intestinais de um adulto ser equivalente à um campo de tênis – é, portanto, um imenso espaço para interações entre o tecido humano e os micróbios.

Probióticos

O termo Probiótico deriva do grego e significa "pró-vida", sendo o antônimo de antibiótico, que significa "contra a vida". Definido inicialmente como: organismos vivos que quando ingeridos exercem efeito benéfico no balanço da flora bacteriana intestinal da pessoa que os consumiu.

Passado algum tempo o termo foi ampliado para: organismos vivos que quando ingeridos em determinado número (concentração) exercem efeitos benéficos para a saúde por sua ação no trato intestinal.

A definição mais atual de probióticos é: suplemento alimentar, rico em microorganismos vivos, que afeta de forma benéfica seu consumidor, através da melhoria  do ambiente microbiano intestinal.

Vários microorganismos são reconhecidos como probióticos, entre eles bactérias ácido-lácticas, bactérias não ácido lácticas (BAL) e leveduras.

As bactérias mais conhecidas que exercem essas funções no organismo são as Bifidobacterium e Lactobacillus. São as mais comumente usadas como probióticos. Que podem ser incluídos na preparação de uma ampla gama de produtos, incluindo alimentos, medicamentos, e suplementos dietéticos.

As bactérias ácido-lácticas, entre as quais se encontra a espécie Lactobacillus foi utilizada para a conservação de alimentos por fermentação durante milhares de anos, capaz de exercer uma função dupla, atuar como agentes fermentadores dos alimentos e também gerar efeitos benéficos à saúde. A fermentação de alimentos oferece perfis de sabor característicos e reduz o pH, impedindo a contaminação provocada por possíveis patogênicos. A fermentação é utilizada mundialmente para a preservação de uma série de produtos agrícolas sem processar (cereais, raízes, tubérculos, frutas e hortaliças, leite, carne, peixe, etc.).

As bactérias (BAL) - não ácido lácticas, neste grupo está incluída uma classificação funcional de bactérias não-patogênicas, não-toxigênicas, Gram positivas, fermentativas, associadas à produção de ácido láctico a partir de carboidratos que podem ser utilizadas na fermentação de alimentos. Estão incluídas as espécies de Lactobacillus, Lactococcus, e Streptococcus thermophilus. Visto que o género Bifidobacterium não produz a fermentação de alimentos e é taxonomicamente diferente das outras BAL, não é habitualmente agrupado com as BAL. Muitos probióticos também são BAL, mas alguns probióticos (como certas cepas de E. coli, formadoras de esporos, e fermentos usados como probióticos) não são.

Leveduras - O fermento mais conhecido é o Saccharomyces cerevisiae, mas algumas espécies de E. coli e Bacillus, também são utilizadas. Este processo durante o qual um microorganismo transforma alimentos em outros produtos, habitualmente através da produção de ácido láctico, etanol, e outros produtos finais. Temos ainda, a saccharomyces boulardii, que pertence ao grupo farmacoterapêutico dos suplementos enzimáticos, bacilos lácteos e análogos e que como substância ativa actua como normalizador da flora intestinal e antidiarreico microorgânico, indicado nas situações em que existam alterações do ecossistema intestinal, designadamente diarreias a rotavírus. 

Prebióticos

Os prebióticos são substâncias (fibras) conhecidas como inulina, oligo e frutooligossacarídeos, nutrem um grupo selecto de microorganismos que povoam o intestino. Favorecem mais a multiplicação das bactérias benéficas do que das prejudiciais. São adicionadas em certos alimentos e tem por objetivo melhorar o funcionamento intestinal, conseguida através de modificações específicas na composição e/ou atividade da flora intestinal, conferindo assim benefícios à saúde.

Simbióticos

Produtos que contêm tanto probióticos como prebióticos. Um produto simbiótico exerce um efeito benéfico tanto como probióticos assim como prebiótico. 

 imagem probióticos

Mecanismo de acção

Os probióticos afetam as bactérias intestinais aumentando o número de bactérias anaeróbias benéficas e diminuindo a população de microorganismos potencialmente patogênicos. Os probióticos afetam o ecossistema intestinal estimulando os mecanismos imunes da mucosa e os não-imunes através de um antagonismo e concorrência com os patogênicos potenciais. Assim,  são Três os possíveis mecanismos de atuação são atribuídos aos probióticos, sendo:

O primeiro deles a supressão do número de células viáveis através da produção de compostos com atividade antimicrobiana, a competição por nutrientes e a competição por sítios de adesão. Probiótico tem que estar viável no momento do consumo, vencer a barreira química, aderir à superfície intestinal para desempenhar suas funções.

O segundo desses mecanismos seria a alteração do metabolismo microbiano, através do aumento ou da diminuição da ati- vidade enzimática.

  • Lactobacilos e bifidobactérias aumentam a acidez do intestino, inibindo a multiplicação de bactérias que causam dano ao epitélio intestinal
  • As bactérias consideradas como probióticos também produzem substâncias denominadas bacteriocinas, proteínas metabolicamente ativas, que auxiliam na destruição de microorganismos indesejáveis.
  • Competição pelos nutrientes entre as bactérias impede crescimento de bactérias consideradas patogênicas para o hospedeiro.

O terceiro seria o estímulo da imunidade do hospedeiro, através do aumento dos níveis de anticorpos e o aumento da atividade dos macrófagos. O espectro de atividade dos probióticos pode ser dividido em efeitos nutricionais, fisiológicos e antimicrobianos.

  • Efeito imunomodulador: O intestino constitui-se no maior órgão linfóide do corpo humano e representa importante palco de reações imunológicas, incluindo a presença de anticorpos, como a imunoglobulina A secretora e várias células imunocompetentes dispersas na lâmina própria e epitélio ou organizadas em estruturas bem definidas, que exercem papel fundamental na apresentação antigênica e elaboração da resposta imune a microorganismos e proteínas da dieta.
A resistência aumentada contra patógenos é a característica mais promissora no desenvolvimento de probióticos eficazes. O emprego de culturas probióticas exclui microrganismos potencialmente patogênicos e reforça os mecanismos naturais de defesa do organismo.

Benefícios dos probióticos

Microbiota intestinal desbalanceada causa alterações como a diarréia associada a infecções ou ao tratamento por antibióticos, a alergia alimentar, o eczema atópico, doenças inflamatórias intestinais e artrite. Assim sendo, a correção das propriedades de uma microbiota nativa em desequilíbrio constitui-se a base da terapia por probióticos. 

No caso específico de pacientes que sofrem da síndrome do intestino irritável, há evidências de que a microbiota intestinal desses pacientes é alterada, promovendo fermentação anormal no cólon. Embora ainda não esteja claro se uma relação causal nesse sentido existe ou se a microbiota alterada é conseqüência de uma disfunção intestinal, a restauração do equilíbrio dessa microbiota, através da administração de probióticos, pode resultar em benefícios terapêutico. Uma vez que as bactérias intestinais estão envolvidas em grande variedade de atividades metabólicas e essas atividades sofrem alterações pela dieta.

 

 

Benefícios imunológicos

  • Ativar os macrófagos locais para aumentar a apresentação dos antígenos para os linfócitos B e aumentar a produção de imunoglobulina A secretória (IgA) tanto local quanto sistematicamente 
  • Modular os perfis das citoquinas
  • Induzir a hipo-resposta aos antígenos alimentares

Benefícios não imunológicos

  • Digerir os alimentos e concorrer com os patógenos pelos nutrientes
  • Alterar o pH local para criar um ambiente local desfavorável aos patógenos
  • Produzir bacteriocinas para inibir os patógenos
  • Fagocitar os radicais superóxidos
  • Estimular a produção epitelial de mucina
  • Aumentar a função da barreira intestinal
  • Concorrer por aderência com os patógenos
  • Modificar as toxinas de origem patogênica

Benefícios dos Prebióticos

  • Efeitos metabólicos: produção de ácidos gordos de cadeia curta, metabolismo lipídico. Absorção de íons (Ca, Fe, Mg)
  • Aumentar a imunidade do organismo (produção de IgA, modulação de citoquinas, etc.)

Dose de ingestão de probióticos e prebióticos e principais critérios para selecção 

Para garantir um efeito contínuo, tanto os probióticos quanto os prebióticos devem ser ingeridos diariamente. Alterações favoráveis na composição da microbiota intestinal foram observadas com doses de 100 g de produto alimentício contendo 109 unidades formadoras de colônias de microrganismos probióticos (107 ufc/g de produto) e com doses de 5 a 20 g de inulina e/ou oligofrutose, geralmente com a administração durante o período de 15 dias. Assim sendo, para serem de importância fisiológica ao consumidor, os probióticos devem alcançar populações acima de 106 a 107 ufc/g ou mL de bioproduto. Para garantirem o estímulo da multiplicação de bifidobactérias no cólon, doses diárias de 4 a 5 g de inulina e/ou oligofrutose são eficientes.

Aplicações terapêuticas

A visão atual sobre as aplicações clínicas para probióticos e prebióticos diversos são resumidas a seguir (em ordem alfabética).

Alergia

• A evidência mais forte é aquela que avaliza seu uso na prevenção da dermatite atópica quando são administrados certos probióticos a mães grávidas e recém nascidos de até 6 meses de idade. Com referência ao tratamento da doença alérgica, uns poucos estudos bem desenhados forneceram evidência que determinadas cepas de probióticos podem ser eficazes no tratamento de um subgrupo de pacientes com eczema atópico. Pouco se sabe sobre a eficácia dos probióticos para evitar a alergia alimentar.

Cancro de cólon

• O projeto SYNCAN avaliou o efeito da oligofrutose mais duas cepas probióticas em pacientes com risco de apresentarem cancro de cólon. Os resultados da pesquisa sugerem que um preparado simbiótico pode diminuir a expressão de biomarcadores de cancro colorretal. 

Diarreia

Tratamento da diarreia aguda:

• Está demonstrado que as diferentes cepas probióticas, incluindo L. reuteri. rhamnosus GG, L. casei, e Saccharomyces cerevisiae (boulardii) servem para reduzir a severidade e duração da diarreia infecciosa aguda em crianças. A administração oral de probióticos encurta a duração da doença diarreica aguda em crianças em aproximadamente 1 dia.

•Existem várias meta-análises de ensaios clínicos controlados que mostram resultados consistentes em revisões sistemáticas, sugerindo que os prebióticos são seguros e eficazes. A evidência que surge dos estudos na gastroenterite viral é mais convincente que a evidência nas infecções bacterianas ou parasitárias. Os mecanismos de acção são específicos de cada cepa: há evidência de eficácia de algumas cepas de lactobacilos (por exemplo, Lactobacillus casei GG e Lactobacillus reuteri) e para Saccharomyces boulardii. Também é importante considerar a oportunidade de administração.

Prevenção da diarreia aguda:

• Para a prevenção da diarreia infantil e no adulto, existe somente evidência sugestiva de que o Lactobacillus GG, L. casei, e S. boulardii são eficazes em alguma situação específica.

Diarreia associada a antibióticos:

• Na diarreia associada a antibióticos há fortes evidências da eficácia do S. boulardii ou L. rhamnosus GG em adultos ou crianças que recebem antibióticos. Uma pesquisa recente indicou a eficácia do L. casei em pacientes adultos hospitalizados na prevenção da diarreia associada a antibióticos e diarreia por C. difficile.

Diarreia induzida por radiação:

• Há evidência, porém não definitiva, sobre a eficácia dos Lactobacillus casei, L. plantarum, L. acidophilus, L. delbrueckii, Bifidobacterium longum, B. breve, B. infantis, e Streptococcus thermophilus no tratamento da diarreia induzida por radiação.

Doença cardiovascular

• O uso de probióticos/prebióticos para fins preventivos e de redução do risco de doença cardiovascular não foi ainda comprovada.

Doença intestinal inflamatória (DII)

Pouchite: - Retocolite ulcerativa é uma das formas mais comuns de doença inflamatória intestinal. Muitos pacientes precisam de remover o colon e o reto como medida preventiva ou tratamento. A pouchite é uma complicação comum deste tipo de ciurgia, é uma condição na qual a bolsa torna-se inflamada. 

• Existe boa evidência a favor da utilidade dos probióticos para prevenir o ataque inicial de pouchite, e na prevenção de recidivas de pouchite após induzir sua remissão com antibióticos. É possível recomendar o uso de probióticos a pacientes com pouchite de atividade leve ou como terapia de manutenção para os pacientes que estão em remissão.

Colite ulcerativa:

• A cepa probiótica de E. coli de Nissle pode ser o equivalente à mesalazina (é um fármaco utilizado no tratamento de doenças inflamatórias intestinais) para manter a remissão da colite ulcerativa. A mistura estirpes de probióticos tem demostrado ser eficaz induzindo e mantendo a remissão em crianças e adultos com colite ulcerativaleve a moderada.

Doença de Crohn:

• Os estudos de probióticos na doença de Crohn foram decepcionantes, e uma recente revisão sistemática Cochrane concluiu que não há evidência que sugira que os probióticos sejam benéficos para a manutenção da remissão na doença de Crohn.

Síndrome do intestino irritável (SII)

• Várias pesquisas têm demonstrado importantes ganhos terapêuticos com probióticos na comparação com placebo. Nos estudos publicados, a redução da distensão abdominal e da flatulência são achados constantes nos tratamentos com probióticos; além disso, algumas cepas podem melhorar a dor e dar alívio geral (B. infantis). O Lactobacillus reuteri pode melhorar os sintomas de cólicas na primeira semana de tratamento, como mostrado em um ensaio recente com 90 lactentes alimentados no peito com cólicas intestinais. Em suma, existem publicações que sugerem que certos probióticos podem aliviar os principais sintomas nas pessoas com SII.

Erradicação do Helicobacter pylori

Existem várias cepas de lactobacilos e bifidobactérias, bem como de Bacillus clausii, que parecem reduzir os efeitos das antibioticoterapias e melhoram a adesão dos pacientes. Outras cepas demonstram eficácia na diminuição dos efeitos colaterais, mas não alteram a taxa de erradicação. Uma meta-análise recente de 14 ensaios aleatorizados sugere que suplementar os regimes antibióticos anti–H. pylori com determinados probióticos seria também efetcivo para aumentar as taxas de erradicação e pode ser considerado útil para os pacientes caso falhe a erradicação. Actualmente, há evidência insuficiente para avalizar o conceito da eficácia de um só probiótico, sem antibioticoterapia concomitante. Em suma, existe literatura que sugere que certos probióticos podem ser úteis como terapia adjuvante com antibióticos na erradicação da infecção por H. pylori.

Encefalopatia hepática

• Os prebióticos como a lactulose são utilizados comumente na prevenção e tratamento desta complicação da cirrose. Foi possível reverter a encefalopatia hepática mínima em 50% dos pacientes tratados com um preparado simbiótico (quatro cepas probióticas e quatro fibras fermentáveis, incluindo inulina e amido resistente) durante 30 dias.

Enterocolite necrosante

• Os ensaios clínicos demonstraram que a suplementação com probióticos reduz o risco de enterocolite necrosante em recém-nascidos prematuros. As revisões sistemáticas dos ensaios controlados aleatorizados também demonstraram uma redução do risco de morte em grupos tratados com probióticos. Em suma, existem evidências sólidas para o uso de certas cepas probióticas em lactentes pré-termo. A quantidade a tratar para impedir uma morte por todas as causas pelo tratamento com prebióticos é de 20.

Hepatopatia gordurosa não-alcoólica

• A utilidade dos probióticos como opção de tratamento não foi confirmada suficientemente através de ensaios clínicos aleatorizados.

Má absorção da lactose

• Streptococcus thermophilus e Lactobacillus delbrueckii subsp. bulgaricus melhoram a digestão da lactose e reduzem os sintomas relacionados a sua intolerância. Isto foi confirmado por uma série de estudos controlados com indivíduos que consumiam iogurte com culturas vivas.

Prevenção de infecções sistêmicas

• Existe evidência insuficiente para avalizar o uso des probióticos e simbióticos em pacientes adultos graves em unidades de cuidados intensivos.

Resposta imune

• Existe evidência de que várias cepas probióticas e a oligofrutose prebiótica servem para reforçar a resposta imune. A evidência indireta foi obtida a partir de estudos destinados a evitar a doença infecciosa aguda (diarreia nosocomial em criancas, episódios de influenza em inverno) e estudos que analisaram as respostas dos anticorpos às vacinas.

Possíveis efeitos adversos dos prebióticos e probióticos

Quando ingerida doses bastante superiores às recomendas de insulina ou outro tipos de fibras, assim como de bactérias benéficas o consumo pode resultar em diarréia, flatulência, cólicas, inchaço e distensão abdominal, estado este reversível com a interrupção da ingestão. Entretanto, a dose de intolerância é bastante alta, permitindo uma faixa de dose terapêutica bastante ampla.

Sabia que os intestinos têm um cérebro próprio?

A partir de casos clínicos e diversos exemplos práticos, Miguel Ángel Almodóvar revela que no aparelho digestivo (esófago, estômago, intestino delgado e cólon) existe um sistema nervoso autónomo, um «segundo cérebro» formado por milhões de neurónios que estão em constante comunicação com o cérebro. A sua importância é extraordinária, muito devido à influência direta que as bactérias intestinais têm na química do cérebro e, por conseguinte, no nosso comportamento e saúde.

"O Segundo Cérebro" expõe as mais recentes descobertas científicas sobre a importância, até recentemente desconhecida nestas proporções, do estômago e da flora intestinal na nossa saúde.

Sabe-se hoje que o desequilíbrio da flora intestinal tem uma relação direta com problemas como obesidade, diabetes, asma, alergias, doenças autoimunes, vários tipos de cancro e uma longa lista de alterações psicológicas — no fundo, com quase tudo o que nos impede de desfrutar de qualidade de vida.

Este livro revolucionário proporciona ao leitor uma clara explicação destas descobertas, incluindo ainda dicas e conselhos alimentares que permitirão reforçar o equilíbrio gastrointestinal, melhorando a saúde e o bem-estar.

Um fascinante livro que demonstra como o aparelho digestivo possui neurónios e uma atividade independente do cérebro. Leitura que recomendo a quem tem curiosidade sobre o tema ou encontra neste uma recente prespectiva da importância que o intestino têm para a nossa saúde e qualidade de vida.

 

Mais informações, fontes; worldgastroenterology.org/,gastroped.com.br/, revistas.usp.br/