Problema de flatulência, são ou não preocupantes

flatulência

A flatulência corresponde a uma sensação de presença de gases no tubo digestivo.

Todos os experienciámos e fazem parte desde que nascemos e podem em algumas ocasiões levar a situações constrangedoras.

Uma pessoa produz em média entre 1/2 e 1 litro de gases diariamente, mas o que faz uma pessoa sofrer de flatulência?

Que nós faz formar gases?

É normal deglutir ar juntamente com os alimentos, mas algumas pessoas devido a alguns alimentos, por comerem muito depressa ou em estado de ansiedade acabam por engolir uma maior quantidade.

Grande parte do ar engolido é eliminado através dos arrotos (eructação). O ar é absorvido através das paredes do tracto gastrointestinal para o sangue, sendo eliminado através dos pulmões. Apenas uma pequena quantidade passa do estômago para o resto do tubo digestivo, acabando por ser expelido pelo ânus.

Para compreender o papel e os elementos que controlam o funcionamento do intestino, é necessário posicioná-lo no conjunto do sistema digestivo. Na verdade, os alimentos que comemos são transformados e descompostos em substâncias que possam ser assimiladas e utilizadas pelo organismo. O sistema digestivo, que desempenha este papel, começa na cavidade bucal, continua com o esófago, o estômago, o intestino delgado, o intestino grosso e termina no ânus. O pâncreas, o fígado (através da vesícula biliar) também participam na digestão.

Um sistema digestivo saudável

digestãoO gás intestinal é uma parte normal da digestão. “Embora as pessoas possam não gostar quando o fazem, especialmente em momentos inadequados, é apenas um sinal de um sistema digestivo saudável e regular”, diz o Dr. Kyle Staller, gastroenterologista do Hospital Geral de Massachusetts, afiliado a Harvard Medical School.

 

O gás é produzido quando as bactérias do sistema digestivo decompõem os alimentos. O gás intestinal contém principalmente hidrogénio e metano, com pequenas quantidades de outros gases, como o sulfeto de hidrogénio, que dão ao gás um odor ruim. No entanto, a maioria dos componentes do gás intestinal é livre de odor.

Estas bactérias intestinais constituem uma família muito complexa (estimada em mais de 1000 espécies e cerca de 35 000 cepas diferentes, repartidas diferentemente segundo as porções do intestino e segundo o indivíduo). Portanto, ela constitui então, uma verdadeira marca individual, própria de cada indivíduo já que pode ser influenciado por parâmetros diferentes: tipo de parto, alimentação, stress, poluições, antibióticos.

Também podemos distinguir as diversas bactérias da flora intestinal em função do seu metabolismo, baseado na degradação dos hidratos ou das proteínas e assim temos:

A flora de fermentação, presente desde o cólon direito até ao cólon transverso. É essencialmente constituída por bactérias lácticas e bifidobactérias. Esta flora assegura a fermentação dos hidratos de carbono complexos não digeridos e está na origem da libertação de gás carbónico e de diferentes ácidos, dando lugar a um pH baixo nesta parte do cólon.

A flora de putrefação, presente ao nível do cólon esquerdo, metaboliza as proteínas (animais principalmente) e produz metabólitos alcalinos. O excesso de putrefação pode estar na origem de corpos aromáticos nauseabundos e de aminas tóxicas, que levam ao mau cheiro.

É a distensão abdominal um problema?

Que alimentos come – e como os digere – podem aumentar a produção de gases. Por exemplo, pessoas com SII (Síndrome de cólon Irritável) ou à medida que as pessoas envelhecem, têm geralmente mais problemas para digerir alimentos que contêm carboidratos de cadeia curta chamados FODMAPs , um termo que significa Fermentáveis, oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis.

Esses alimentos não são assimilados ou digeridos incompletamente, o que causa aumento da fermentação pelas bactérias intestinais e, cria mais gases causando retenção de água e provocando distensão abdominal.

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Alimentos com FODMAPs produtores de gás

Food-FODMAPsOs alimentos mais comuns com FODMAPs que produzem gases incluem brócolos, feijão e lentilhas, trigo, alho, cebola, maçã e alguns sumos de frutas. Mas os FODMAPs também estão presentes em alguns alimentos surpreendentes, como o abacate e cerejas.

Às vezes, as pessoas recorrem a alimentos sem açúcar como forma de controlar seu peso, e muitos deles contêm sorbitol ou outros álcoois de açúcar, altos FODMAPs que também são facilmente fermentados no intestino. A lactose – o açúcar do leite e produtos lácteos – também é um FODMAP, e o gás é uma consequência comum da intolerância à lactose.

Segundo diz Dr. Staller “Essa variedade de alimentos é o motivo pelo qual algumas pessoas que sofrem de flatulência devem considerar conversar com um nutricionista para ajudar a identificar possíveis problemas e, em seguida, projetar uma estratégia para diminuir o tamanho das porções ou eliminá-las completamente e substituí-las por outros alimentos”.

Em muitos casos, uma pessoa consegue tolerar pequenas quantidades de um alimento que produz gás, mas uma maior dose vai criar gás excessivo. Por exemplo, pode ter problemas para digerir um copo de leite ou uma tigela de gelado, mas ficar bem com natas no café.

Os gases aumentam à medida que envelhecemos?

Embora possa parecer que se produz mais gás com a idade, isso não é verdade, diz o Dr. Staller. “As pessoas mais velhas costumam ter uma maior conscientização dos seus gases, e então parece que elas produzem mais”. Ele acrescenta que é comum os músculos do esfíncter enfraquecerem com a idade, para que as pessoas percam alguma capacidade de reter o gás, tornando-o mais perceptível, especialmente em situações sociais.

O excesso de gases é motivo de preocupação?

Ter gases é normal, mas há situações em que pode ser um alerta para um problema mais grave de saúde. Se a flatulência ocorrer com mais frequência do que o habitual, ou se for acompanhado de outros sintomas, como dor abdominal, perda de peso, febre ou fezes com sangue, deve conversar com seu médico.

“Esses sintomas podem ser sinais de um distúrbio digestivo, como doença celíaca, colite ulcerosa ou doença de Crohn”, diz o Dr. Staller.

Caso contrário, são uma forma de seu organismo mostrar que sua digestão funciona como deveria.

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