Interação entre os alimentos e medicamentos – 2ª parte

Medicamentos para a diabetes, azia, anti-hipertensores, colesterol e patologias da tiróide

Uma alimentação saudável, diversificada e equilibrada é o melhor tipo de medicamento preventivo. Mas, em alguns casos, alguns alimentos nutritivos podem interferir no funcionamento de medicamentos regularmente prescritos.

E certos alimentos podem ser uma escolha não tão saudável quanto pensa, quando se está a tomar medicamentos específicos, como no caso da diabetes, colesterol, azia, hipertensão, e patologias cardiovasculares.

E muitas são as interações alimentares e medicamentosas que podem ter efeitos perigosos.

alimento e medicamento

Medicamentos para a diabetes

Os medicamentos para tratar a diabetes inserem-se em duas grandes categorias: injectáveis e tomados por via oral. A insulina é o fármaco injectável mais conhecido para tratar a diabetes. Estes medicamentos são administrados por injectável para contornar a passagem pelo estômago e intestino, evitando assim muitos problemas decorrentes da toma e fármacos com alimentos e suplementos dietéticos.

Desta forma interessa apenas focar nos medicamentos por via oral, os que passam pelo aparelho digestivo e são absorvidos.

São muitos os profissionais de saúde que sabem dar orientações sobre os alimentos a consumir e a evitar quando se sofre de diabetes, incluido médicos, nutricionistas e organizações de estudo e apoio à doença como por exemplo, a Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD).

Dentro dos medicamentos para tratar a diabetes tipo 2 via oral, existem vários tipos:

  • Fármacos que abrandam a digestão do açúcar e a absorção pelos intestinos
  • Fármacos que estimulam directamente a libertação de insulina pelo pâncreas
  • Fármacos que estimulam indirectamente a libertação de insulina pelo pâncreas
  • Fármacos que estimulam a sensibilidade das células à insulina

Todos tem como objectivo comum de manter os níveis de açúcar no sangue dentro de um intervalo baixo, estável e saudável.

Alimentos a evitar

Álcool

álcool

O consumo de álcool influência directamente os níveis de açúcar no sangue.

Ingerir uma quantidade moderada de álcool numa única ocasião tem o efeito imediato de reduzir os níveis de glicerina, mas ingerir grandes quantidades de alcoolismos com regularidade já faz subir os níveis.

Os efeitos do álcool são complexos. Para a maioria das pessoas com diabetes, o álcool não tem de ser eliminado da dieta, mas limitar a ingestão diária para níveis moderados é de suma importância.

Em consumo ocasional, limitar a uma porção, ou seja, 150 ml de vinho, 350 ml ou 3,5 dl de cerveja, ou 45 ml de bebidas espirituosas.

Opções

As dietas que evitam a ingestão de produtos de animais e carboidratos refinados, como pão branco, refrigerantes e doces açucarados são a melhor opção quando se toma insulina.

E alimentos com baixo teor de gordura e alta em fibra são recomendados para ajudar biodisposição do medicamento.

Medicamentos para a azia

azia e indigestão

Já quase todos experimentamos, em algum momento da vida, um episódio de indigestão ou azia. Ambos geralmente reconhecidos por refletirem a sensação de ardor (por vezes, dor) no meio do peito após a refeição.

Embora a azia e indigestão sejam apenas uma inconveniência ocasional para a maioria das pessoas, há milhões que se debatem com sintomas recorrentes desta sensação de ardor.

Os sintomas de azia – cuja designação mais exacta é, esofagite de refluxo, são idênticos aos sintomas de doença coronária. E mesmo que o diagnóstico seja esofagite de refluxo, é importante consultar um médico.

Existem diversos fármacos para tratar este distúrbio, algumas das soluções de tratamento consistem em compostos que contém; hidróxido de magnésio, carbonato de cálcio ou hidróxido de alumínio.

O ácido em excesso no estômago é neutralizado mediante uma simples reação química e a dor abranda temporariamente.

A desvantagem destes compostos é a curta duração e alguns efeitos secundários, por exemplo, ingerir magnésio em excesso causa diarreia.

Tipos de medicamentos antiácidos

Existem três grandes classes deste tipo de medicamentos;

  • Antiácidos químicos (compostos)
  • Antagonistas dos receptores H2
  • Inibidores de bomba de protões

Dentro do grupo dos antiácidos químicos, existem ainda vários tipos de princípios activos, entre os mais conhecidos temos o hidróxido de alumínio (caso do Pepsamar® ou Ulcermin®), e nos de hidróxido de magnésio (Maalox plus®).

Nos carbonato de cálcio, as referência mais conhecidas são; Kompensan®, Alka-Seltzer®, Tums®, Gaviscon®, Rennie® entre outras. O tão famoso e antigo Eno®, é também deste grupo mas, composto por bicarbonato sódio e carbonato de sódio.

Os bloqueadores dos receptores H2 da histamina são eficientes redutores da acidez gástrica. A principal molécula prescrita deste grupo é a Ranitidina, que tem alguns nomes comerciais como, Bioculcer,® Gastridina®, Zantac®… e em terapia crónica pode causar deficiência de vitamina B12.

No grupo dos Inibidores de bomba de protões encontra-se os tão conhecidos fármacos omeprazol, com tantos nomes comerciais, tais como Losec®, Mepraz®, Omlic®, Omezolan® entre outros. Muito controverso sobre sua eficácia tem por objectivo bloquear nas próprias células o mecanismo de libertação de ácido.

Alimentos a evitar

Não existe um alimento ou grupo de alimentos especifico a não ingerir quando se toma este tipo de fármaco, no entanto há que ter em consideração que este género de medicamento para o combate a azia e indigestão vai diminuir a absorção intestinal  do ferro e do ácido fólico Caso faça alguma suplementação deve deixar um intervalo de 2h antes ou depois do medicamento.

Se optar por comprimidos de antiácido com carbonato de cálcio, é importante prestar atenção à quantidade consumida diariamente para evitar uma sobredosagem de cálcio.

A cimetidina (principio activo de medicamento do grupo antagonistas dos receptores H2), abranda a decomposição do álcool, da nicotina e da cafeína, pelo que se deve moderar o consumo de produtos que os contenham quando se está sob esta medicação.

Medicamentos anti-hipertensores

A hipertensão (pressão arterial elevada) costuma começar sem dar nas vistas. É um visitante silencioso que se vai instalando.

Porque há tanta preocupação com a pressão arterial elevada? A questão é que os vasos sanguíneos tem capacidade de aguentar grande pressões, mas não excessivas. Se houver demasiada pressão, estes rompem-se podendo levar a consequências letais.

medicamentos oara hipertensão

Regra geral estes fármacos “anti-hipertensores” dirigem-se à redução da pressão nas artérias porque é muito mais lata do que nas veias e, por essa razão, causa problemas de saúde.

Tipos de fármacos existentes

Os fármacos são concebidos para influenciar o mecanismo para moderar a pressão arterial.

Certos medicamentos descontraem o revestimento muscular nas paredes das arterial, o que lhes aumenta o tamanho (o diâmetro) e faz a pressão arterial baixar.

Outros descontraem os músculos nas paredes apenas das pequeníssimas arteriosas, o que faz o sangue sair mais depressa das grandes artérias, reduzindo a pressão arterial.

Outra categoria de fármacos abranda o fluxo do sangue saído do coração para as artérias, o que também se traduz na redução do volume de sangue nas artérias.

Uma nova variedade de outros medicamentos serve para reduzir o volume de sangue no sistema cardiovascular por inteiro, baixando assim também a pressão arterial.

Dentro dos medicamentos para tratar a hipertensão, existem vários tipos:

  • Bloqueadores beta (bloqueadores beta-1)
  • bloqueadores beta (nao selectivos
  • Bloqueadores do canal de calcio
  • Antagonistas alfa-1
  • Agonistas alfa-2 centrais
  • Inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA)
  • Antagonistas dos receptores da angiotensina
  • Antagosistas da aldosterona
  • Modificadores do eixo menina angiotensina
  • Diuréticos

Dado haver muitas maneiras de a pressão arterial ser regulada pelo organismo, não admira que sejam muitos os fármacos receitados para tratar quando está elevada.

E quando se toma um ou algumas vezes até vários medicamentos para controlar a pressão arterial, é particularmente importante falar com o médico sobre alimentos ou suplementos dietéticos consumidos.

Alimentos a evitar

Certos alimentos, alem do álcool e de muitos suplementos dietéticos, podem elevar ou baixar directamente a pressão arterial só por si. Também podem influenciar indirectamente a capacidade de os fármacos anti-hipertensores tomados reduzirem a pressão arterial.

álcool

O consumo de álcool pode diminuir ou potencializar o efeito redutor da pressão arterial da medicação, e isso pode resultar em tonturas e até desmaios. Outro risco é que aumente a sonolência decorrente de alguns fármacos anti-hipertensores.

 

Caso sofra de hipercalemia, excesso de potássio no sangue, pode ser exacerbada pelo Zestril ou lisinopril, é um inibidor da enzima conversora da angiotensina (ECA). E nesta situação recomenda-se que abaixe a ingestão ou elimine alimentos com alto teor de potássio, como bananas, laranjas, mangas, melão, amendoim, manteiga de amendoim e brócolos, para citar apenas alguns.

Pacientes com hipertensão arterial (pressão alta) e outras condições cardíacas geralmente são aconselhados a reduzir o consumo de sódio. Os substitutos do sal são ricos em potássio, enquanto os fármacos conhecidos como inibidores da ECA geram níveis elevados de potássio no sangue. O excesso de potássio pode causar batimentos cardíacos irregulares e palpitações cardíacas (batimentos cardíacos rápidos).

Se tomar os medicamentos bloqueadores dos canais de cálcio, como é o caso do Norvasc, zolnor ou vidozol é importante controlar o consumo de produtos que contenham este mineral. Principalmente caso faça algum tipo de suplementação, como multivitaminas, antiácidos ou em caso de sumos fortificados com cálcio. laranjas

Nos medicamentos bloqueadores beta, como o atenolol, tenha em atenção ao consumo de sumos de laranja (qualquer tipo de sumo de laranja), pois reduz a absorção do farmaco pelos intestinos. Não beba sumo de laranja até quatro horas antes ou depois  de tomar o medicamento.

Quanto a toranja, se comer mais do que metade de uma peça ou beber mais de um copo pequeno de sumo (170-230 ml) por dia, deve reduzir o aporte deste alimento ou eliminar-los da dieta. A toranja abranda a assimilação do fármaco e a pressão arterial pode descer demasiado, causando tonturas e desmaios.

Arroz vermelho

Se tomar verapamilo ou diltiazen e consumir arroz vermelho fermentado, o qual contém naturalmente lovastatina, deve ter em mente que há uma relação directa entre a lovastatina e estes dois fármacos redutores da tensão arterial. Eles inibem a absorção da lovastina (também principio activo de fármacos para baixar os níveis de colesterol) pelo organismo, fazendo com que os seu níveis no sangue sejam altos.

Alimentos ricos em potássio

Ha que tem em atenção aos alimentos ricos em potássio como, por exemplo, as hortaliças trepadeiras ( tomate, pepino, curgete, beringela) e as hortaliças de folha verde, (espinafres e couves) para quem faça uma medicação com os IECA (inibidores da enzima de conversão da angiotensina).

Este tipo de fármaco impede a formação de um composto, a anginotensina , que faz subir a pressão arterial mediante acção directa nas artérias e acção indirecta nos rins. Este composto estimula também a produção de uma hormona, a aldosterona, que reduz a produção de urina, levando à retenção de água no organismo.

O efeito dos IECA na retenção de potássio e na subida dos seus níveis no sangue é importante do ponto de vista medico. Se o potássio no sangue subir demasiado, pode surgir batimentos cardíacos irregulares, o que por vezes redunda em ataque cardíaco. O controle da ingestão deste tipo de alimentos, pode influenciar os seus valores.

Medicamentos para o colesterol

colesterol

Os antidislipidémicos, fármacos utilizados para baixar o colesterol no sangue, estão entre os medicamentos mais receitados no mundo.

O organismo precisa de uma certa quantidade de colesterol para funcionar e proporcionar uma boa saude. Ele serve, por exemplo para criarmos hormonas que ajudam a reagir ao seres fisico e mental, mas também constitui a base da produção das hormonas sexuais.

Aliás, não podemos viver sem colesterol e por isso é que o fígado o sabe produzir, caso não obtenha o suficiente pela alimentação.

É por essa razão a primeira frente de tratamento para o colesterol alto geralmente implica alterações à alimentação.

Quando as alterações alimentares não fazem descer os níveis de colesterol até um intervalo  aceitável, significa que o fígado está a produzir mais do que as necessidades do organismo. É aqui que os medicamentos podem ajudar.

Tipos de fármacos existentes

  • Estatinas
  • Medicamentos para tratamento da litíase biliar (cálculos biliares)
  • Fibratos
  • Niacina
  • Inibidores selectivos da absorção do colesterol

As estadias reduzem os níveis de colesterol no sangues por reduzirem a sua produção por parte do fígado. Por vezes, certas estatinas até aumentam a concentração de colesterol HDL no sangue, o qual apanha o colesterol na corrente sanguínea e o transporta até ao fígado para dissipação. Neste caso, aumentar o nível de colesterol é positivo!

Para milhões de pessoas, a medicação com estatinas tem-se tornado parte de um plano de tratamento, abrangente tanto para a prevenção como para a recorrência de doenças cardiovasculares.

Alimentos a evitar

Toranja

toranjaOs melhores estudos científicos sobre interações alimentares durante a medicação com estéticas focam a toranja e o sumo de toranja.

a toranja contém naturalmente compostos que desativam uma enzima importante que decompõe certas estatinas conforme são absorvidas pelos intestinos.

Quando esta enzima não trabalha, absorve mais estéticas e subindo mais os seus níveis no sangue. Estes níveis mais altos podem aumentar a probabilidade de efeitos secundários inerentes à medicação – regra geral, dores musculares.

Outros citrinos

Há mais dois frutos cítricos – pomelos e laranjas amargas – que contém os mesmos compostos naturais da toranja que interferem particularmente com três tipos de estatinas, as lovastatina, sinvastatina e atorvastatina.

O pomelo é um citrino grande originário da Ásia, cruzado com laranjas para chegar a um tipo de toranja grande.

Embora a maior parte das laranjas não tenham os componentes problemáticos da toranja que inibem a eficácia das estatinas, as laranjas amargas são a excepção.

O que teve comer

A fundação Portuguesa de Cardiologia e outras entidades recomendam um regime alimentar rico em fruta e hortaliça, proteína magra- incluindo peixe, carne de aves sem pele, lacticínios pobres gordura e cereais ricos em fibras.

Medicamentos para a tiróide 

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A tireoide é uma das mais importantes glândulas do corpo humano. Localizada no pescoço, a tireoide tem como função produzir uma série de hormonas que regulam vários aspectos fisiológicos, como o crescimento e a produção de proteínas, bem como a velocidade do metabolismo.

O seu mal funcionamento pode ser de dois tipos: o hipotireoidismo (mais comum, cerca de 80% dos casos) ocorre quando a glândula produz menos hormonas do que o normal; o hipertireoidismo, por sua vez, dá-se quando a glândula produz hormonas demais. Em ambos os casos verificam-se desequilíbrios indesejáveis nas funções reguladas pela tireoide.

Tipos de medicamentos

Os fármacos usados no tratamento do hipertireoidismo são responsáveis por inibir a produção de hormonas da tireoide e alguns deles são:

  • Propiltiouracil ou Propilracil – um medicamento antitireoidiano que tem na sua composição Propiltiouracila, um composto responsável por inibir a produção das hormonas da tireoide.
  • Metimazol – é um derivado tioimidazólico antitireoidiano que ajuda a regular a função da tireoide.
  • Tapazol – é um medicamento antitireoidiano que tem na sua composição Tiamazol, que é responsável pelo controle da produção de hormonas da tireoide.

Os fármacos usados no tratamento do Hipotireoidismo são responsáveis por fazer a reposição ou suplementação das hormonas da tiróide e alguns deles são:

  • Puran T4, Euthyrox ou Synthroid – são medicamentos que têm na sua composição o principio ativo a Levotiroxina sódica, que consistem numa hormona que é normalmente produzida pelo organismo pela glândula tireoide, permitindo assim a sua reposição.
  • Tetroid – é uma hormona que tem como principio ativo a L-tiroxina que ajuda na reposição de hormonas no organismo.

A levotiroxina é a molécula mais prescrita para situação clinica, de hipotiroidismo, e imita a produção de hormona natural do organismo na glândula tireoidea – um processo conhecido como “terapia de reposição da tiróide” – para ajudar a acelerar a taxa metabólica.

Alimentos a evitar

Para que segue uma medicação com Synthroid devera ter em conta a quantidade a ingerir de soja, nozes e outros alimentos ricos em fibras. Uma vez que pode interferir na absorção deste tipo de medicamento.

algas

 

Alimentos ricos em iodo, como marisco e algas marinhas, podem tornar a sua prescrição ineficaz ou exigir uma dosagem mais elevada.

 

Os vegetais ricos em glicosinolatos e proprogoitrinas, como os do género Brassica (repolho, couve, couve-flor, brócolos, couves-de-bruxelas), são antagonistas do iodo no metabolismo tiróidiano e podem contribuir para o desenvolvimento do bócio. A síndrome pode ocorrer, principalmente, em pessoas que habitam áreas rurais, afastadas do literal, onde o solo é pobre em iodo.

Estes vegetais devem, preferencialmente, ser consumidos cozidos ou refogados, pois o aquecimento inativa, ainda que parcialmente, estas substancias.

Em resumo

Tenha em consideração que o álcool e toranja são os alimentos mais referenciados no que se refere as intenções de alimentos e medicação. No entanto outros há que podem levar a efeitos secundários indesejáveis.

Deve perguntar sempre ao seu médico e ao seu farmacêutico sobre qualquer interação entre medicamentos e alimentos que possa estar ciente de possíveis interações. Em caso de dúvida procure apoio de um nutricionista, que poderá dar lhe alternativas alimentares.

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