Alimentação e distúrbios da tiróide

Hipotiroidismo ou Hipertiroidismo?

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A tiróide actua diretamente no crescimento e no desenvolvimento de crianças e adolescentes, na regulação do ciclo menstrual, na fertilidade, no peso, na memória, na concentração, no humor e na regulação emocional.  Algumas pessoas podem ter algum distúrbio nessa região,  que faz com que o organismo fique mais ou menos acelerado. Estes problemas podem aparecer em qualquer fase da vida, do recém-nascido ao idoso, em homens e mulheres. 

Função da tiróide

A tiróide é uma pequena glândula que mede cerca de 5 cm de diâmetro situada no pescoço sob a pele e por baixo da maçã-de-adão. As duas metades (lobos) da glândula estão ligadas na parte central (istmo), de tal maneira que parecem a letra H função da tiróideou um nó de lacinho.

A glândula tiróide segrega as hormonas tiróideas, que controlam a velocidade das funções químicas do corpo (velocidade metabólica). As hormonas da tiróide têm dois efeitos sobre o metabolismo; estimular quase todos os tecidos do corpo a produzir proteínas e aumentar a quantidade de oxigénio que as células utilizam. Quando as células trabalham mais intensamente, os órgãos do corpo trabalham mais depressa.

Para produzir hormonas tiróideas, a glândula tiróide precisa de iodo, um elemento que os alimentos e a água contêm. Esta glândula concentra o iodo e processa-o no seu interior. Quando as hormonas tiróideas se consomem, um pouco do iodo contido nas hormonas volta à glândula tiróide e é reciclado para produzir mais hormonas.

As hormonas da tiróide encontram-se em duas formas. A tiroxina (T4), que é a forma produzida na glândula tiróide, tem apenas um efeito ligeiro na aceleração da velocidade dos processos metabólicos do corpo. A tiroxina converte-se no fígado e outros órgãos numa forma metabolicamente activa, a triiodotironina (T3). Esta conversão produz aproximadamente 80 % da forma activa da hormona; os 20 % restantes são produzidos e segregados pela mesma glândula tiróide. Muitos factores controlam a conversão de T4 em T3no fígado e nos outros órgãos, incluindo as necessidades do organismo em cada momento. A maior parte das formas T4 e T3 une-se a certas proteínas no sangue e é activa apenas quando não estiver ligada a elas. Deste modo singular, o organismo mantém a quantidade correcta de hormonas tiróideas, necessária para conservar uma velocidade metabólica estável.

Para que a glândula tiróide funcione normalmente, é necessário que muitos factores actuem muito estreitamente: o hipotálamo, a hipófise, as proteínas transportadoras de hormona tiróidea (do sangue) e a conversão, no fígado e nos outros tecidos, de T4 a T3.

Hipotiroidismo

No caso do hipotiroidismo, há uma produção insuficiente de hormonas. Tudo passa a funcionar mais lentamente: o coração bate devagar, o intestino prende e o crescimento pode ficar comprometido.

Ocorrem também a diminuição da capacidade de memória, cansaço, dores musculares e nas articulações, sonolência, pele seca, ganho de até 4 kg, aumento nos níveis de colesterol e, em alguns casos, depressão. Pode haver ainda frio, queda de cabelo e infertilidade. O hipotiroidismo muito grave denomina-se mixedema.

Nessa situação, o organismo tenta “parar” o indivíduo, já que não há “combustível” para gastar. Apesar de ser mais comum acima dos 40 anos, o hipotiroidismo pode ocorrer em todas as fases da vida. Crianças, adolescentes, jovens, adultos e idosos podem ter a doença.

Tipos de hipotiroidismo 

Hipotiroidismo primário 

É o mais comum. A glândula não funcionar correctamente. Esta não produz suficiente hormona da tiróide T3 e T4, e como resultado as funções corporais abrandam.

Neste tipo de hipotiroidismo, a glândula tiróide pode ter um aumento volumoso considerável, e neste caso é conhecido por bócio. O caso de hipotiroidismo com bócio é mais comum em áreas onde a deficiência de iodo, e tem uma relação directa com a dieta.

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Hipotiroidismo secundário

A glândula tireóide está em perfeitas condições, no entanto, a hipófise não produz a hormona na quantidade suficiente para estimular o funcionamento normal da tiróide.

Hipotiroidismo terciário

Neste caso é o hipotálamo que está afectado. Não se produz a hormona libertadora de tirotropina, tornando a toda afectada, pois sem esta hormona a hipófise também não pode libertar as hormonas T4 e T3.

Hipotiroidismo auto-imune: Mais conhecido por tiroidismo de Hashimoto 

A causa mais frequente neste tipo de alteração de carácter auto imune é uma elevação dos níveis TSH (hormonal estimulante da tiróide) e descida de T3 e T4.

Na tiroidite de Hashimoto, a causa mais frequente de hipotiroidismo a glândula tiróide aumenta e o hipotiroidismo aparece anos mais tarde, devido à destruição gradual das zonas funcionais da glândula. A segunda causa mais frequente de hipotiroidismo é o tratamento do hipertiroidismo. O hipotiroidismo costuma verificar-se quer seja pelo tratamento com iodo radioactivo, quer pela cirurgia.

Hipertiroidismo

No outro extremo, há o hipertireoidismo, ou seja, a produção excessiva de hormonas. Neste caso em geral, as funções do corpo aceleram-se. O coração bate mais depressa e pode desenvolver um ritmo anómalo, e o indivíduo afectado pode chegar a sentir os batimentos do seu próprio coração (palpitações). Também é provável que a pressão arterial aumente.

Muitos doentes com hipertiroidismo sentem calor mesmo numa habitação fria, a sua pele torna-se húmida, já que tendem a suar profusamente, e as mãos podem tremer. Sentem-se nervosos, cansados e fracos, e apesar disso aumentam o seu nível de actividade; aumenta o apetite, embora percam peso; dormem pouco e evacuam frequentemente, algumas vezes com diarreia.

O hipertiroidismo também provoca alterações oculares: edema em torno dos olhos, aumento da lacrimação, irritação e uma inabitual sensibilidade à luz. Além disso, o doente parece olhar fixamente. Estes sintomas oculares desaparecem quando a secreção da hormona tiróidea é controlada, excepto nos pacientes com doença de Graves, a qual causa problemas especiais nos olhos.

Tipos de hipertiroidismo 

O hipertiroidismo pode adoptar diversas formas que incluem a doença de Graves, o bócio tóxico nodular ou o hipertiroidismo secundário.

Começando por Hipertiroidismo apático ou oculto, não apresentar estes sintomas característicos, como no caso dos idosos com hipertiroidismo em que, simplesmente tornam-se fracos, sonolentos, confusos, introvertidos e deprimidos. Os problemas cardíacos, especialmente os ritmos cardíacos anómalos, observam-se muitas vezes nos pacientes de idade avançada com hipertiroidismo.

Os nódulos tóxicos (adenomas), zonas de tecido anómalo que crescem dentro da glândula tiróide, eludem por vezes os mecanismos que controlam a glândula e produzem, por conseguinte, hormonas tiróideas em grandes quantidades. Um doente pode ter um nódulo ou vários. A este respeito o bócio tóxico multinodular (doença de Plummer), uma perturbação em que há muitos nódulos, é pouco frequente nos adolescentes e adultos jovens e o risco de a sofrer tende a aumentar com a idade.

O hipertiroidismo tem várias causas, entre elas as reacções imunológicas, possível causa da doença de Graves. As pessoas que sofrem esta doença também podem ter os olhos salientes (exoftalmos) e, menos frequentemente, zonas de pele edemaciadas nas tíbias. Os olhos tornam-se salientes devido a uma substância que se acumula na órbita, essa protrusão ocular associa-se a uma intensa fixidez no olhar e a outras alterações oculares características do hipertiroidismo. Os músculos que movem os olhos deixam de funcionar da forma adequada, e esta é a causa da dificuldade ou impossibilidade de mexer os olhos ou coordenar os seus movimentos, o que provoca visão dupla.

Hipertiroidismo secundário, e uma causa pouco frequente do hipertiroidismo pode ser um tumor hipofisário que segregue demasiada hormona estimulante da tiróide, a qual por sua vez estimula a hiperprodução de hormonas tiróideas. Outra causa rara de hipertiroidismo é a resistência hipofisária à hormona tiróidea, que dá como resultado uma hipófise que segrega demasiada hormona estimulante da tiróide.

Alimentos in & out

No caso de hipotiroidismo

Existem alimentos e nutrientes que podem contribuir para uma melhor qualidade de vida para os pacientes com hipotiroidismo e também alguns que devem ser evitados.

A dieta ideal para pacientes com hipotiroidismo deve incluir grãos integrais, alimentos naturais, abundância de frutas e vegetais e uma boa oferta de frutos do mar e proteínas magras.

A glândula tireóide sintetiza a hormona tiroxina (T4) e triiodotironina (T3), que contém iodo, o que torna esse nutriente um dos mais importantes na dieta desses pacientes. A recomendação para o consumo de iodo, de acordo com as Dietary Reference Intakes (DRI) é de 150 mcg/dia para adultos de 19 a 70 anos. Sua deficiência pode levar ao hipotiroidismo, bócio endémico e cretinismo e segundo a OMS, seu excesso (mais de 300 mcg/dia) pode ocasionar doenças auto-imunes da tireóide. Os principais alimentos fonte deste micronutriente são os de origem marinha, como as ostras, os moluscos, mariscos e os peixes de água salgada.

Desde 1956 foi adoptada uma lei que torna obrigatória a adição de iodo ao sal de consumo humano em todo o território nacional, com o objectivo de erradicar a deficiência nesse micronutriente.

Outro nutriente importante para esses pacientes é o selénio, pois é essencial na conversão da hormona T4 em sua forma altiva T3. A castanha do Pará é uma importante fonte desse nutriente, que pode também ser encontrado em algumas carnes magras. A ingestão de fibras também é essencial para o controle do peso e alívio de um dos sintomas do hipotiroidismo, a constipação.

Há alguns estudos que relacionam a Tireoidite de Hashimoto (hipotiroidismo auto-imune) com a deficiência de vitamina D, e na maioria dos casos é necessária a suplementação dessa vitamina.

Adoçantes à base de sucralose devem ser evitados, assim como outros alimentos que contém cloro, pois esse nutriente compete com o iodo e prejudica sua absorção e utilização pela tireóide.

Alimentos à base de soja devem ser consumidos com moderação. Alguns estudos demonstraram que os flavonóides presentes na soja e derivados também podem interferir na absorção de iodo.

Além disso, recomendações gerais como a prática de actividade física, ingestão hídrica adequada e fraccionamento das refeições são importantes para ajudar a equilibrar o metabolismo lento, consequência do hipotiroidismo.

No caso de hipertiroidismo

Em caso de hipertireoidismo, tome regularmente os seus medicamentos e consulte o seu médico regularmente.

Coma bastante repolho, pois este contém uma substância que actua na glândula tireóide reduzindo naturalmente a produção de hormonas. Outros vegetais como a rúcula, os brócolos e a couve-flor parecem ser igualmente eficazes, especialmente se forem consumidos crus.

No caso de hipertireoidismo, ao contrário do hipotiroidismo (dieta com iodo), evite consumir alimentos ricos em iodo, como os peixes e algas. Uma dieta especial não é necessária, porém é recomendável reduzir o consumo de sal e de estimulantes, tais como o álcool ou a cafeína.

O hipertiroidismo pode levar a perda de vitaminas e minerais. Portanto, pode ser aconselhável a administração de suplementos alimentares que contenham vitaminas e minerais. Também é indicado que se adopte uma dieta equilibrada, incluindo frutas e vegetais em abundância, os quais naturalmente já têm uma quantidade significativa de vitaminas e minerais. Pergunte ao seu médico ou nutricionista para obter mais informações.

Quer o seu problema seja hiper ou hipotiroidismo recomenda-se que seja acompanhado por um nutricionista para melhor dar apoio e orientação nutricional, pois a individualidade e condições de cada paciente necessidade de uma abordagem personalizada.

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